13.1.09

Batata

Um Salve e um Viva à

Rainha maior das Américas perdidas

Com esforço conquistou o mundo

E agora todos se curvam, sem rebeldia

Beijam a terra e cantam suas glórias

Como o ar que se respira

És o alento de toda a humanidade

De tantas formas pode ser comida

E sua força se mostra quando,

Por baixo da neve ou do sol

Cresce sua raiz nutritiva

Alimentando a alma e a barriga

É, pois, a mãe dos pobres e da burguesia

Sozinha resplandece delicada e doce

Se transforma de tantas formas e

Abraça com ternura as carnes, as folhas

Já foi marginalizada, quanta injustiça!

Sem que soubessem que dentro de seu

Humilde semblante, se esconde o elixir da vida

Sem ti uma parte da História não seria escrita

E o mundo sucumbiria sem a tua existência

Nem a revolução francesa, nem a guerra

dos cem dias]

E seríamos ainda hoje, órfãos de suas delicias.

24.11.08

Introdução

Comer interliga as pessoas pela emoção. Interliga pelas mãos que transformam. Pela boca que se alimenta, nos interligamos pela fome. A comida revela temperamentos, a pitada do sal é a extensão do momento, unindo as pessoas para que compartilhem de um mesmo desejo.

A simplicidade desse desejo é o desafio de quem oferece ao outro o conforto primitivo. O primeiro beijo do Homem é na teta da mãe, e até que não prove de outros lábios, sua busca só cessa quando abocanha, faminto, as frutas, as carnes e o pão.

Quem oferece comida, oferece amor incondicional, uma mistura de desejo maternal e vaidade, quando se põe à mesa a panela fumegante, o sentimento cresce, e o desejo é que as pessoas pulem em cima, lambendo os cantos que transbordam com o molho.

11.11.08

Ode a Cebola

Ó de ti, suprema força de todos os amores
Tua alva carne faz cegar os desavisados olhos
Teu sumo ácido faz animar os humores
Dos que querem a força de teu sabor e molho

És temida também por homens outros
Que nada sabem de teus segredos mil
Fechada em manto ora róseo ora roxo
Derrubas a moral até do mais forte e viril

Se dourada já não és mais hostil
Que o amor sem sal, o dia sem açúcar.
A vida sem ti seria pobre e vil

Ainda que para amar-te isso custa
Ceder aos encantos de teu doce-picante
Dentro da boca e de meu restante.

Soneto ao Tomate Perfeito

Pedra preciosa, rubi da flora

Fruta de meus pecados

De ti extraio o suco adocicado

E ponho na boca de meus amantes.


A volúpia de teu formato

Se pequeno o ponho todo na boca

Se grande te rasgo no prato

Tão ácido e provocante.


Vermelho sangue, tomate.

Sou sua escrava diariamente

Sem você meu mundo arde


Sempre que como a tua carne

Suculenta, sinto vontades

Por demais exuberantes.

Pé de Caqui

O que me impressionou hoje
Foi um pé de caqui
Com os cachos cheios de frutos
Frutos verde-amarelos que não comi

Não comi porque estão adstrin
Adstring, gentes
Nunca havia visto um pé
Desse caqui amarelo verde

Todos juntos num enorme galho
Há mais de um por ali
Ali, onde nascem os caquis
Impressionantes cachos cheios

Me saliva a boca
E hoje a noite vou sonhar com eles
Sonhar que estou em seus galhos
Comendo sua carne e matando a minha sede.

22.11.06

Lições De Etiqueta

Comer muito não é necessariamente apreciar comer. Gostar de comer muito e gostar de comer muito bem, tampouco são coisas similares. Comer bem, é mais que algumas garfadas de arroz com feijão, é poder sentir desde a textura do alimento até os mais sutis temperos que nele está. Claro que aqui não estamos falando de genios do palato. Mas qualquer pessoa pode muito mais do que comer. Pode simplesmente degustar da banana ao coq au vin.

Por isso coloquei o nome deste blog de Como Me Lo Como, que é o nome de um restaurante que tem aqui em Madrid, e achei que, além de tão simpático, esta é uma frase que sempre sai da minha boca com satisfação: Como me lo como ou, Como eu como!!!!!!!!!!! É uma homenagem a esse pequeno restaurante que me surpreende nos pratos e no ambiente!

Aqui, neste espaço, será permitida toda as formas de amar a comida e de amar comer. Sem restrições. Vivemos somente em busca da garfada perfeita!